Os pavimentos de madeira são a solução mais frequente e, generalizadamente, considerada como a mais nobre e saudável para “chãos” interiores. A madeira pode ser aplicada em elementos de diversas formas e dimensões,bem como de modos variados. O soalho tradicional é a forma mais antiga de aplicação de madeira em pavimentos, própria de um tipo estrutural de construção em que se integra perfeitamente.

Actualmente continua, decerto, a ser a solução para pavimentos com estrutura de madeira, enquanto nas estruturas de betão não é muito mais do que uma opção estética pelas dimensões dos elementos. Outros tipos de pavimento foram, em consequência, desenvolvidos.

Podemos distinguir 3 tipos fundamentais de pavimentos de madeira:

Soalhos: exigem a existência de uma estrutura de suporte, também em madeira, à qual se fixam as tábuas. Em estruturas de betão, o “ripado” é aplicado sobre uma base sólida à qual deve ficar mecanicamente fixado. A altura necessária para a aplicação de um soalho sobre base de betão ou betonilha é de, pelo menos, 0,05m.

Madeira para colar: também designados por parquetes, os elementos de madeira para colar tem formas e dimensões variadas. A madeira para colar pode destinar-se a acabamento in situ após afagamento ou ser pré-acabada.

Decks para exteriores (ver mais): próprios para resistir a intempéries estes pavimentos são de madeiras duras e resistente. Aplicado sobre base metálica ou de madeira o mesmo é cravado podendo ser envernizado no final com verniz tipo marítimo.

Os mais vulgares tipos de elementos de madeira para colar são:

Parquete mosaico: constituído por réguas de pequena dimensão, agregadas em “mosaicos” com espessuras entre 6 mm e 8 mm.
Lamparquete: caracterizado por uma espessura de 10 mm e área rectangular com dimensões diversas, das quais a mais frequente é 300x 60 mm.
Parquetone ou régua: elementos igualmente rectangulares mas de espessura maior do que o lamparquete - 14 a 18 mm - o que permite dimensões também maiores para os elementos: 400/500/600x 60/70 mm;
Taco tradicional: com as dimensões 210 x 70 x 20/22 mm, actualmente pouco aplicado. qualidade e, também, por exigir mão de obra qualificada cara e pouco disponível. Actualmente, quando utilizados, são colados à betonilha;
Taco macheado: elementos rectangulares com espessuras 14/17/18/20/22 mm de espessura, macheados nos 4 lados, com dimensões da ordem de 500/600/700 mm.
Réguas macheadas: com espessuras da ordem de 10 a 18mm, são, muitas vezes, pré-acabadas, evitando os trabalhos de afagamento e envernizamento posterior. Podem ser fornecidas apenas pré-afagadas, sendo o envernizamento feito após a colagem.
Parquetes Flutuantes: são constituídos por elementos macheados de pequenas espessuras ligados entre si por um sistema de “macho-fêmea”, constituindo um revestimento não colado à base sobre a qual é previamente colocada uma película de polietileno ou de cortiça. Constituem um tipo de pavimento de larga utilização com excelentes resultados e permitindo estereotomias diversas.

A MADEIRA
São muito variadas as essências utilizadas em elementos para pavimentos, pelo que não seria fácil uma descrição completa. Sendo um produto natural, as madeiras variam de tonalidade e de veio dentro da mesma essência, factos que não são, por isso, considerados defeitos.

De modo geral, as madeiras envernizadas ou enceradas ficam com uma tonalidade mais ou menos diferente da madeira em bruto, consoante a essência, recomendando-se, para evitar surpresas, apreciar o efeito produzido pelo acabamento escolhido. Além disso, a madeira deve ser apreciada directamente e não em fotografias que nunca a reproduzem muito bem.

Algumas das essências mais frequentemente utilizadas são:

Pinho - é uma madeira muito utilizada em parquete mosaico, taco tradicional e soalho. É possível, através de selecção, dispor de pinho sem nó. É uma madeira clara, o que, por vezes, leva a que não seja escolhido como solução estética. Porém, pode ser escurecido em vários tons, produzindo efeitos excelentes, tirando partido dos veios que possui. Nesta coloração há que escolher o produto adequado para que o resultado seja bom. Constitui, deste modo, uma solução económica e de bom efeito estético. Por esta via se pode conseguir um pavimento económico e de bom efeito estético.

Carvalho - com uma densidade da ordem de 700Kg/m3, é das madeiras de maior utilização em pavimentos de todos os tipos. São diversas as classificações de carvalho quanto ao seu aspecto e qualidade. Apresentamos uma classificação simples e frequentemente utilizada:
Carvalho extra: madeira escolhida em que são admissíveis, no máximo, 3 pequenos defeitos por metro.
Carvalho standard: madeira que pode apresentar algumas nodosidades de pequena dimensão. É, por assim dizer, uma segunda escolha seleccionada;
Carvalho rústico: com defeitos e nós diversos, porém sem comprometer a estabilidade do pavimento.

Castanho - é uma madeira de cor escura, pouco densa - cerca de 550Kg/m3 - mas dura. Tem a vantagem de não ser atacado por insectos e por fungos. É uma madeira de longa duração.

Faia - é uma madeira clara, com densidade da ordem de 700 Kg/m3 e com tonalidade bastante homogénea.

Freixo - é uma madeira clara e de grão fino, com densidade da ordem de 550 Kg/m3. É, de um modo geral, utilizada em tonalidade homogénea, mas podendo ser utilizada com “coração”, correspondendo a zonas mais escuras que podem proporcionar um efeito decorativo.

Cerejeira - com uma cor de mel e de grão muito fino, é uma madeira muito decorativa, podendo apresentar diferenças sensíveis de tonalidade. Aplica-se sobretudo em parquete mosaico e parquete flutuante.

Jatobá - é uma essência exótica, da família do mogno, muito utilizada, com coloração avermelhada, mais ou menos escura consoante a selecção e a proveniência.

Iroko e Tatajuba ( Kambala) - essências com densidade da ordem de 650 Kg/m3, de cor castanho dourado com tendência para se tornar mais escura em consequência da oxidação. Tem bom efeito decorativo. São essências muito utilizadas em lamparquete e régua, bem como em parquete mosaico. Pertencem à família da kambala.

Badi - essência de uma agradável cor de mel claro, bastante uniforme. É geralmente utilizado em lamparquete.

Merbau - essência castanho avermelhada com tonalidades muito heterogéneas. Madeira muito dura, com uma densidade da ordem de 800 Kg/m3.

Afizélia e Kempas - essências de coloração agradável e de boa qualidade, com tonalidade bastante homogénea e veios agradáveis, permitem pavimentos de belo efeito decorativo.

AS BASES DE APLICAÇÃO
A base é da maior importância para o sucesso da aplicação dos pavimentos de madeira. Constituída, na maioria das vezes por betonilha, é na execução desta que mais se focam as atenções, devendo ser executadas por pessoal competente e com grande experiência neste domínio. A betonilha deve ser de boa qualidade, para o que deve possuir as seguintes características:
ter elevada e uniforme resistência mecânica, não devendo estar fendilhada nem muito porosa;
estar bem desempenada para que constitua um apoio contínuo e uniforme do pavimento a instalar;
na altura da aplicação do pavimento não deve possuir um teor de humidade superior a 3%. Não se deve esquecer que o tempo de secagem das betonilhas é longo, sendo de contar com cerca de 1 mês por cada centímetro de espessura;
deve estar bem limpa de poeiras e de gorduras na altura da aplicação por colagem, para que a aderência da cola se faça bem.

Por vezes, torna-se necessário “regularizar” a base, de modo a corrigir defeitos de nivelamento ou a reduzir a porosidade, para que as colagens resultem bem.

Esta regularização, sobretudo nos pavimentos colados, não dispensa a exigência de resistência mecânica da betonilha, nem supre as deficiências resultantes da existência de fissuras que indiciam, geralmente, falhas de resistência de camadas inferiores.

Os pavimentos com aplicação flutuante são menos exigentes quanto à resistência mecânica da betonilha, mas são igualmente exigentes quanto ao desempeno. A massa de regularização a utilizar deve garantir boa resistência mecânica.

AS COLAS
São três os tipos principais de colas aplicáveis em pavimentos de madeira colados à betonilha:
cola de água, de preferência com teor de água controlado, com um máximo de 30%, evitando, deste modo, excessos de humidade que podem afectar a madeira.
colas de base poliuretana, geralmente de 2 componentes, sem água, de grande poder de aderência e com boa resistência à água. São as colas com maior poder de aderência, para além de uma boa resistência à água, evitando descolamentos fáceis em caso de excesso de humidade.
cola de álcool, sem água, para pavimentos colados pré-acabados, os quais, por isso, tem dificuldade em eliminar a água absorvida das colas de água.
Nota: Em todos os tipos de cola não deve ser adicionada água.

AS APLICAÇÕES
As aplicações devem ser cuidadas e executadas por pessoal especializado, segundo as boas regras da arte. De um modo geral, há que ter em consideração que a madeira deforma muito mais transversalmente à fibras do que no sentido destas. Por esta razão, é de boa técnica colocar a madeira de modo a que as fibras fiquem no sentido da maior dimensão da área a revestir, seja qual for o tipo de pavimento a executar.

Não se deve esquecer que são necessárias “folgas ou juntas” para absorverem as deformações que sobrevêm com as variações de temperatura e de humidade, o que se consegue não fechando demasiadamente as juntas entre elementos de madeira e deixando uma folga perimetral que o rodapé irá tapar.

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